15 Dezembro 2008

Educar para a Cidadania X Violência

A violência está cada vez mais incrustada dentro das cabeças e do íntimo das pessoas. Na sociedade em que vivemos, onde tudo é espetáculo na TV: a vida privada, as maldades, as tragédias pessoais e os horrores que ferem mais e mais os direitos e a dignidade das pessoas, parece urgente uma mudança de comportamento por parte dos formadores de opiniões, da escola, da família, da sociedade em geral. No fundo as pessoas não querem violência, querem mais cidadania, mas estão tão envolvidas por essa bolha que parecem não saber se libertar deste mal.

Urge uma resposta por parte dos poderes, da escola e dos meios de comunicação, assim como da família, de uma tentativa em fazer crescer nas pessoas um sentimento de bondade, de ética e de valores que nos dignifiquem e nos façam ver o outro como pessoas que merecem nosso respeito.

Os poderes públicos têm que garantir políticas que conduzam as pessoas a serem protagonistas de suas próprias vidas. Que lhe dêem oportunidades de crescimento individual e coletivo, que incentivem uma vida mais solidária e em coletividade, onde o diverso seja aceito e respeitado. Onde todos e todas tenham oportunidade de exercer a cidadania plena sem serem alvos dessa cultura funesta.

Apostar na escola como elemento de formação de uma personalidade ética desde as primeiras idades deveria ser prioridade dos governos. Paralelamente, também a família tem que cumprir o seu papel de formadora. É na escola, assim como na família, onde podemos representar papéis para desencadear o crescimento cognitivo de valores positivos para a formação da personalidade do bem. Também nelas, podemos formar mentes conscientes dos valores democráticos, onde a tolerância, a solidariedade e o respeito devam ser prioritários na relação com o outro.

Por isso, creio acertada a recomendação da UNESCO para que os países estabeleçam nos currículos escolares, em todos os níveis, uma disciplina independente ou transversal que eduque os alunos e alunas na perspectiva de exercerem os seus direitos e deveres em uma sociedade plural como a que vivemos hoje. Onde homens e mulheres possam desempenhar a cidadania paritariamente, sem distinção de cultura, raça ou credo. E aonde os valores de liberdade, paz, justiça social e tolerância venham contribuir para o desenvolvimento humano e das sociedades.

Por outro lado, uma inversão de prioridades nas pautas dos veículos de comunicação ajudaria em muito a disseminação de uma cultura menos violenta e de respeito à dignidade humana. É falsa essa premissa de que “o povo gosta” do “lixo” que está sendo destinado quotidianamente por alguns programas de rádio e televisão.

Como sabemos, a mídia eletrônica exerce uma influência enorme em alterar comportamentos. E nesse momento, não podemos deixar de lado o grande poder da internet. O fato de o internauta vivenciar o mundo (a globalização) a partir de sua própria casa (da sua intimidade), e com autonomia, vem alterando cada vez mais o comportamento do leitor e do telespectador diário. Já não são mais passivos aos acontecimentos e noticiários. O consumidor de notícias já se dá ao “luxo” (ao contrário de lixo) de escolher o que alimenta sua alma.

Está mais do que na hora dos veículos de comunicação se sintonizarem e escolherem o bom caminho para a formação de opiniões e por que não, de personalidades. Considerado como o quarto poder, pode sim, ser cobrado do seu dever e responsabilidade na difusão de conceitos positivos e éticos.