19 Novembro 2010

Que juventude é essa?


Em outras décadas os jovens se mobilizavam para lutar contra a ditadura, contra a violência, contra a falta de liberdade ou se revoltavam contra a própria família para ter mais liberdade e direitos, que significavam poder sair com os amigos, viajar, ser respeitado em suas vontades e exercer seu direito à vida, à sexualidade e os prazeres como bem entendessem.
Ao contrário desses engajados e rebeldes jovens, infelizmente, estamos presenciando hoje uma leva de rapazes e moças que parecem se perder em seu cotidiano, sem rumo, sem foco, sem referências e sem valores. Os episódios ocorridos em São Paulo recentemente, como a discriminação e preconceito de uma jovem, estudante de Direito, pelos nordestinos e de um grupo de rapazes que direcionaram sua arrogância e intolerância a outros jovens, ao que parece por pura homofobia, dão um alerta à sociedade no tocante à educação direcionada à nossa juventude.
A sociedade parece estar divida entre o bem e o mal quando se fala em Direitos Humanos, mas cabe aí uma reflexão em torno do debate da inclusão da disciplina Educação em Direitos Humanos nos currículos escolares. Uma disciplina que provoque o jovem ou a jovem a pensar que a diversidade cultural, religiosa, regional e do exercício da sexualidade são fatores presentes na sociedade e que precisam ser respeitados assim como o direito à liberdade e a individualidade de cada pessoa.
É preciso reinventar novas formas de convivência entre os jovens e a sociedade num todo, que ao que se percebe vive um “choque de culturas” proveniente das diferentes gerações e das mudanças culturais na contemporaneidade. Os jovens, assim como os adultos que os acompanham na formação da personalidade precisariam ter acessos a novos paradigmas que possam levá-los à reflexão e à incorporação de novos valores, entre estes a tolerância e o respeito à dignidade humana, sem que para isso se sintam agredidos nem com o direito de agredir a outrem.  
Muitos dos episódios de violência e de intolerância presentes na sociedade de hoje são resquícios de um período conturbado de repressão do regime autoritário e da educação recebida nas famílias e nas escolas contemporâneas e/ou pós-ditadura. A democratização dos Direitos Humanos através da Educação formal e/ou não formal é um tema que hoje permeia as Universidades e os Governos tanto a nível internacional como nacional. É um debate merecedor de atenção e que, com certeza, trará novos referenciais para uma sociedade tão diversa, tão rica culturalmente e que ainda busca a excelência do ser humano. 

1 comentários:

  1. No nosso tempo acreditávamos e lutávamos para que flores vencessem os canhões -e esquecemos de preparar humanamente a nova geração de militares!
    Pregávamos e exercitávamos a liberdade mesmo que isso nos levássemos à prisão - esquecemos de ensinar nossos filhos que o limite nosso termina quando começa o do outro!
    Crescemos, amadurecemos, nos capacitamos e ganhamos títulos até no exterior e negligenciamos a cidadania ou o seu direito indistintamente em nossa origem, na nossa comunidade... enfim, hoje globalizados, temos que fazer o caminho inverso para buscarmos as respostas.
    Seu texto é bom e instigante. Concordo com a necessidade de se aprender direitos humanos nas escolas, mas eu aprendi regra de três e até hoje não utilizei. Então acredito que não é só isso (nem você disse isso), mas é resignificar valores, direitos, deveres, e, antes de tudo, condições dignas e equitativas de crescimento, consolidando o que se tornou clichê: "protagonismo juvenil" - E olha que quando esses jovens aprontam tais coisas como atos de violência e intolerância estão sendo protagonistas, exercitando(mal) seu direito de atores, cabe a nós a reflexão: quem escreveu esses roteiros?
    O debate é necessário, inclusive para redimensionar os "programas sociais par a juventude" existentes, e o papel da escola/família/Estado.
    Infelizmente temos a sociedade que construímos, ou que esquecemos de construir!
    Cheguei até aqui pelo seu tuíter somos "seguidos e seguidores" um do outro, e já me senti no direito...
    Um abraço!

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