As feministas e os “escrachos” contra as violações
O Movimento Feminista tem retomado suas pautas e seu protagonismo em sociedades do mundo todo. Aqui no Brasil, a Macha das Margaridas, a Marcha das Vadias, a Marcha das Mulheres Negras e as Marchas anuais que marcam a luta das Mulheres no dia 8 de Março são indubitavelmente marcos históricos dessa retomada. Mas, não é só isso. As mulheres, empoderadamente estão ocupando espaços antes inimagináveis, faltando ainda, claro, a consolidação desse protagonismo por parte da sociedade, que se nega em acompanhar a evolução humana e da sociedade contemporânea.
Dentro desse cenário, as mulheres têm reinventado as formas de mostrar as suas bandeiras e indignações, além de incorporar novas preocupações. Entre as formas adotadas está a ocupação de universidades e instituições de Poder, principalmente dos órgãos ligados à Justiça. Outra forma adotada e que vem tendo uma grande repercussão e inquietude por parte de algumas pessoas públicas, políticos e empresários, principalmente os da comunicação, estão os “escrachos”, que é uma forma adotada de protestar mais incisiva e diretamente contra o alvo adotado, seja pessoa ou instituição.
Já dentro das novas bandeiras abraçadas está a preocupação com as linguagens midiáticas, onde as mulheres têm sido vítimas recorrentes de desrespeitos, ataques misóginos, preconceitos, fobias e várias formas de violências.
Foi nesse contexto que mulheres participantes do Movimento Feminista da Paraíba, entre outros grupos realizaram um protesto (escracho) contra o apresentador Sikêra Júnior e a TV Arapuan, na última sexta-feira (08/06). O escracho se deu pelo fato do apresentador haver violado os preceitos dos Direitos Humanos ao chamar uma mulher privada de liberdade e todas as mulheres que não pintam as unhas de “sebosas” e ainda de agredir verbalmente numa demonstração de machismo e misoginia a jornalista e rapper/MC, Kalyne Lima.
O protesto surtiu tanto efeito que a emissora de TV antecipou as férias do apresentar, mesmo antes de completar 1 ano de contrato. O Movimento de Mulheres avalia um avanço, mas não deve parar por aí a investida contra programas policialescos no estado, junto com o Fórum pela Democratização da Comunicação outras medidas deverão ser tomadas, além do fortalecimento de ações contra programas midiáticos que passem o limiar da liberdade de expressão, atacando a dignidade das pessoas.
O “escracho” das mulheres paraibanas virou notícia em vários sites brasileiros e os fatos ocorridos na TV Arapuan contribuíram para a reativação de uma frente de mulheres, jornalistas e outros defensores dos Direitos Humanos preocupadas/os com a falta de ética e de violação de direitos das cidadãs e cidadãos, através do monitoramento dos programas policialescos no estado.
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